Cobertura da Palestra
Na palestra realizada em sala de aula, no dia cinco de março, por dois profissionais da agência Riot, o assunto tratado foi o papel das mídias sociais na construção de imagem de pessoas, marcas, empresas e campanhas políticas. A agência foi criada em 2006, sendo a primeira agência latino-americana a estabelecer um modelo de negócios baseado inteiramente em mídias sociais e conteúdo, atendendo clientes importantes como Nokia, HBO, Petrobrás, Adidas, Fast Shop, Itaú e HP.
Na introdução do tema, o palestrante deu uma noção de como era a Internet há nove anos e como ela foi se desenvolvendo para chegar aos patamares atuais. Em 2001 já havia vinte milhões de sites no ar, porém as pessoas apenas consumiam a informação, sem interagir de forma alguma com ela. A interação das pessoas que produziam o conteúdo para com as que o consumiam, começou a ocorrer com a criação dos Blogs. Qualquer pessoa poderia comentar aquilo que bem entendesse sobre o que havia sido escrito no blog.
Com o passar dos anos, a mudança da produção de conteúdo foi acelerada pelas novas ferramentas que foram surgindo, em que o consumidor passou a ser cada vez mais ativo, consumindo, mas também criando conteúdo. Dessa forma a Internet começou a se tornar mais humana, se diferenciando das mídias tradicionais que “empurram” a mensagem para o receptor, não recebendo um feedback pelo mesmo meio que a emitiu. Já em 2007 a Revista Time, famosa por eleger ao final de todo ano a pessoa mais importante do mundo, decidiu que “Você” (“You”) como sendo o vencedor do ano, por levar em conta a revolução que a Internet estava propiciando para a grande geração de conteúdo por parte de pessoas comuns.
A definição de mídias sociais foi apresentada pelos palestrantes como o uso de tecnologias e interações sociais, produzindo conteúdo colaborativo. As pessoas produzem e consomem conteúdo em diversas plataformas: portais de broadcast de vídeo (ex:YouTube); Redes Sociais (ex:My Space, Orkut, Facebook); Blogs; Sites de Crowdsourcing/Bookmark social (ex: Delicius, funciona com o sistemática de que quantos mais votos levados, ganha destaque na home page); Meta Versus (espaços de realidade virtual); Lista de Discussão (lista de emails ou de temas específicos, ex:medicina); Fóruns (temas livres que normalmente funcionam com perguntas e respostas).
As pessoas por natureza gostam de compartilhar informações, conhecimento e entretenimento. A publicidade pode se aproveitar disso e usar as mídias sociais como auxiliador dessas interações, contanto que sejam bem feitas.
Na segunda parte da apresentação os palestrantes exemplificaram o tema com o famoso e recente caso do atual presidente americano Barack Obama, que soube utilizar dessas ferramentas de mídias sociais para se promover, se aproximar dos eleitores e ganhar a popularidade dos americanos nas eleições. O sucesso de sua campanha se deu por conta dele saber identificar o comportamento, as necessidades e pensamentos da população americana, dividindo-os em 16 clusters e sabendo tratá-los como únicos, tendo uma mensagem direcionada para cada um deles, e não uma única mensagem para todos, como havia sido feito antes por todos os presidentes. Como qualquer marca não se constrói sozinha, Obama entendeu que a sua popularidade deveria ser construída juntamente com sua população, por isso ofereceu canais para que pudesse falar com todos eles, que fossem canais de mão dupla. Nada melhor do que as redes sociais. Dessa forma as diferentes camadas sociais podiam tirar suas duvidas, fazer sugestões e críticas direcionadas ao presidente, participando diretamente da construção da campanha, o chamado Call to Action.
Obama fazia ações onde as pessoas estavam, e não onde ele gostaria que elas estivessem. Criou um site chamado My Barack Obama, além de 16 espaços sociais oficiais, com perfis para cada target específico da população, para que dessa forma as pessoas de cada um deles se identificassem com Barack. A verba destinada às ações na Internet era de apenas 2%, porém ao saber utilizar com perfeição as redes sociais, que são gratuitas, conseguiu movimentar a população para que doasse um total de 87% de todo o dinheiro de sua campanha. O interessante é que muitas pessoas doaram, já que 93% dos doadores deram menos que 100 dólares cada.
Barack conquistou em pouco tempo mais de 130 mil seguidores no Twitter (o maior número de seguidores de um perfil do Twitter), 500 comunidades no Facebook criadas por pessoas normais e mais de 14 milhões de viewers de um único vídeo dele no Youtube. Outros candidatos à presidência também tentaram utilizar redes sociais, como o John Edwards, que criou 24 perfis em redes sociais, mas não deu certo por não entender a dinâmica desses canais, que passavam a mesma mensagem independente do target. Obama se comunicava muito com seus clusters por intermédio de vídeos direcionados. Havia por exemplo vídeos voltados apenas para falar com as mães, destacando as propostas de melhorias para o governo em relação a esse universo. Segundo os palestrantes, é preciso ter um relacionamento de longo prazo nas comunidades das redes sociais, para poder dessa forma criar uma reputação e juntar mais pessoas, coisas que não ocorre da noite para o dia.
Obama não teve trabalho fácil. Somente em seu Twitter foram feitas 263 atualizações para atingir mais de 130 mil seguidores. No de Jonh McCain, foram feitas 25 atualizações para apenas 5 mil seguidores, sem contar que no dia da eleição ele não incentivou pelo Twitter a população a votar nele, ao contrário de Barack. Obama ainda postou 1800 vídeos no Youtube, também colocando nele todos os comerciais que passavam na TV. Teve um total de 134 mil inscritos e mais de 19,5 milhões de exibições. McCain postou apenas 330 vídeos, com 29 mil inscritos.
O atual presidente norte-americano não parou de inovar. Como 65% dos gamers nos EUA são maiores de 18 anos, Obama colocou anúncios em games do X-Box como Burnout, NBA e NFL, simulado em placas de publicidade. Tudo para aproximar a realidade das pessoas (mesmo que esta seja em um mundo virtual) ao contexto das eleições e ao futuro do país, demonstrando que ele estava preocupado em impactar todos, onde quer que eles estivessem.
Um aplicativo para o Iphone também foi desenvolvido e disponível para download na Appstore. Ele era integrado com o site principal do Obama, com as últimas notícias, vídeos etc. Também foi desenvolvido o YouBama, um canal de vídeo feito por usuários, em que os vídeos mais votados de Obama ficavam por cima dos outros. O Flicker também teve um perfil do presidente, em que as pessoas postavam fotos diariamente das cidades onde ele passa. Em outro site criado, o hopeactchange.com, era possível ver vídeos de Obama cuja imagem era formada por centenas de fotos de pessoas, criando um mosaico muito bonito. Quando se passava o mouse por cima de cada uma delas, era possível ver a foto da pessoa ampliada com o respectivo nome, pois ela havia mandado para o site para participar da campanha.Para finalizar as ações de envolvimento dos eleitores com Obama, foi criado um concurso em que as pessoas tinham que criar vídeos de 30 segundos para falar porque votariam nele. O vídeo mais votado passaria em TV aberta nos EUA.
As ações em mídias sociais só reforçaram o logo da campanha de Barack Obama, “Yes, We Can”, inserindo o “nós” como agente de construção de algo sólido, trazendo uma proximidade ao presidente, mostrando que juntos seria possível mudar o país e o mundo, mas sozinho ele não seria nada. Trazer esses eleitores para perto de algo que parece estar longe, estimulando essa sensação de proximidade, certamente motivou muitas pessoas a participarem e contribuírem para campanha de Obama.
Depois que ganhou a eleição, Obama para manter a reputação e o relacionamento com os eleitores que votaram nele, deu continuidade às redes sociais, permitindo um contanto constante e mais pessoal com cada um dos grupos. Essa compreensão que Obama teve em considerar que a sociedade é composta por pessoas muito diferentes, formando grupos com interesses e comportamentos ecléticos, separando-os de acordo com o behavior target, certamente o auxiliou na comunicação e no sucesso de toda sua campanha.
Com todos esses exemplos positivos podemos concluir que a Internet deve ser entendida como um ponto de saída e não como o de entrada. Nela, o usuário colabora, adapta e espalha. Ele não quer tudo pronto, ele quer participar e criar uma mensagem juntamente com outras pessoas, entender que a sua opinião será considerada por outros e participar de grupos de pessoas que pensem como ele, ou seja, ele quer consumir e produzir conteúdo e se sentir inserido na sociedade. Aqueles que souberem lidar melhor com esta nova realidade serão bem sucedidos, seja em campanhas publicitárias, relacionamento com seus clientes, construção e desenvolvimento de marcas ou de pessoas.
VIDEOS DA PALESTRA
Parte I
Parte III
Internet interativa
No ínicio a Internet era apenas utilizadas por centros de pesquisas financiadas pelo governo, em universidades renomadas no mundo, e em outros poucos lugares. Nesse contexto a Internet era algo muito limitado e apenas um experimento em teste. Muitas pessoas não tinha conhecimento de sua existência, pois seu uso era limitado a um número pequeno de pessoas.
No entanto com o passar do tempo novas ferramentas e meios para utilizá-la foram desenvolvidos, assim a Internet evoluiu muito, tornando-se algo atrativo, interessante e útil para muitas pessoas. Nesse contexto a Internet passou a popularaizar-se de tal forma que, atualmente, é uma ferramenta imprescindível na vida das pessoas.
Apesar disso, nos dias atuais, a Internet não parou de evoluir e transformar-se. Isso se comprova pelo fato de que há alguns anos atrás, a Internet era algo que fucionava somente em uma direção, ou seja, as pessoas iam em busca de informações, porém não geravam informação de volta à Internet numa porporção semelhante. Isso define um período em que não existia uma grade interatividade entre a Internet e seus usuários. Este momento na história é conhecido como Web 1.0 de acordo com pesquisadores do tema. Entretanto afirma-se que na atualidade a sociedade vive o período da Web 2.0, no qual existe uma grande interatividade entre a Internet e seus usuários. Essa interatividade proporciona às pessoas a possibilidade de criarem, ou recriarem conteúdos existentes na Internet, ou seja, ao mesmo tempo que os usuários adquirem informações úteis, gerando um canal de duas mãos, onde eles também geram uma grande quantidade de informações que reconfiguram o papel da Internet nos dias atuais.
Nesse novo contexto também foram desenvolvidas novas formas de relacionamento entre os usuários da Internet. Esse é o caso das Mídias Sociais, elementos presentes na web pelos quais as pessoas podem trocar opiniões, informações, arquivos e diversas outros elementos. Exemplos desses meios de relacionamento, na web, são os sites como o YouTube. Dentro das Mídias Sociais existem um sub-grupo, o das Redes Sociais onde as pessoas interagem entre si, porém de uma forma menos ampla do que em sites das Mídias Sociais. Exemplos de Redes Sociais são sites como Orkut, Facebook e muitos outros. A partir destas ferramentas, pode-se concluir que a internet tem uma maneira muito peculiar de segmentação da comunicação, o que vai de encontro à da “cauda longa”, criada por Chris Anderson, que a explica em uma entrevista dada à revista Época: “A teoria da Cauda Longa diz que nossa cultura e economia estão mudando do foco de um relativo pequeno número de 'hits" (produtos que vendem muito no grande mercado) no topo da curva de demanda, para um grande número de nichos na cauda. Como o custo de produção e distribuição caiu, especialmente nas transações online, agora é menos necessário massificar produtos em um único formato e tamanho para consumidores. Em uma era sem problema de espaço nas prateleiras e sem gargalos de distribuição, produtos e serviços segmentados podem ser economicamente tão atrativos quanto produtos de massa.”
A partir desses fatos pode-se dizer que o novo papel assumido pela Internet nos dias atuais tem grande influência nos âmbitos social, econômico, político etc.
